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sábado, 5 de maio de 2012

Resenha: Aprendi com Jane Austen de William Deresiewicz

 
Título: Aprendi com Jane Austen: como seis romances me ensinaram sobre amor, amizade e as coisas que realmente importam
Autor: William Deresiewicz
Tradução de: A Jane Austen Education: how six novels taught me about Love, friendship, and the things that really matter
Tradutor: André Pereira da Costa
Editora: Rocco
Edição: 2011
ISBN: 978-85-325-2681-6
Páginas:256


Sinopse: (fonte: Editora Rocco)
William Deresiewicz tinha 26 anos quando conheceu a mulher que mudaria sua vida. E, para ele, pouco importava que ela tivesse morrido quase 200 anos atrás. A verdade é que até aquela época, o então estudante de pós-graduação, habituado à leitura de James Joyce e Joseph Conrad, nunca havia desejado ler Jane Austen, o que veio a acontecer meio por acaso e até contra sua vontade. O resultado, porém, não poderia ter sido mais revolucionário. Os romances da escritora inglesa que viveu entre 1775 e 1817, como pontua Deresiewicz, iriam ensinar-lhe tudo o que viria a saber a respeito do que realmente é importante na vida.
Em Aprendi com Jane Austen, Deresiewicz leva o leitor pelo caminho percorrido ao longo dos anos em que escreveu sua dissertação para a conclusão da pós-graduação em literatura, anos durante os quais foi se envolvendo cada vez mais com Jane Austen. Inicialmente, de forma impaciente e desconfiada; depois, entregando-se às histórias contadas por aquela que é considerada uma das mais importantes escritoras de língua inglesa de todos os tempos. Simultaneamente, narra momentos marcantes em sua própria vida a partir da leitura de Austen.
Deresiewicz dedica um capítulo a cada uma das seis obras de Jane Austen. Os livros não são ordenados de forma cronológica, mas de acordo com a ordem das leituras realizadas pelo autor, assim como pelas descobertas feitas por ele ao longo do caminho.
Emma é a primeira obra a ser esmiuçada. Dessa leitura, tira indicações sobre como encarar de maneira mais produtiva o cotidiano. Em seguida, comenta de forma detalhada o clássico Orgulho e preconceito, analisando o comportamento dos famosos protagonistas, Elizabeth Bennet e Mr. Darcy. Entre a análise literária e observações pessoais, Deresiewicz divide com o leitor as transformações pelas quais foram passando seu pensamento, leitura após leitura.
O contato com seu orientador nada convencional e a leitura de A abadia de Northhanger revelam-se um aprendizado e tanto. Já a importância de ser autêntico é percebida ao ler Mansfield Park. A essa altura, Deresiewicz já está encantado com Jane Austen. Há, porém, ainda muito a ser aprendido, o que se confirma com a leitura de outros dois conhecidos livros da escritora inglesa: Persuasão e Razão e sensibilidade.
Depois desse mergulho no universo de Jane Austen, Deresiewicz não seria mais o mesmo, tampouco sua vida e seu modo de agir diante do mundo. É parte disso que ele procura passar para quem deseja tirar melhor proveito de suas experiências de vida, ou simplesmente descobrir a literatura de Jane Austen, fonte inesgotável de encantamento geração após geração. Não é à toa que a autora permanece entre as preferidas dos jovens e sua obra segue inspirando múltiplas releituras e adaptações, de filmes a histórias em quadrinhos.

Hum...
Li a sinopse e comprei, não resisti. E ao ler, me apaixonei. Amei o livro. Mesmo. Tudo.

Por onde começo? Bom, vamos por partes.

O título e o subtítulo  já deixam os Austen-maníacos eriçados, além disso é extremamente apropriado ao conteúdo do livro: as lições que o autor pode perceber e aprender na leitura das obras de Jane Austen.

Eu ainda adorei a capa (design e ilustração de Ben Wiseman). Quem já leu Jane Austen, ou pelo menos já viu algum filme e/ou alguma outra adaptação de suas obras, bem se lembra de como são tratadas as aparências. Veja bem, não a beleza, mas a necessidade de manter a aparência, os modos, os comportamentos e atender aos padrões sociais... tanto como na atualidade.  A ilustração, um traje masculino, que representa muito bem a moda da época de Austen, pode representar mais do que isso. É necessário observar.  Muito sutil. Inteligente. Isso já dá o que pensar do livro. Um belo trabalho de capa. A mim, ficou muito claro essa relação da capa com a aparência e já me deixou com a pulga atrás da orelha.

Essa é uma obra que pode ser lida e apreciada pelos leitores de Jane Austen, mas também por quem nunca a leu. Isso pelo simples motivo de que se trata de um livro escrito por um leitor. Esse leitor conta, além do que aprendeu nos livros, que nem sempre entendeu ‘a moral’ da história, que as vezes teve de reler a obra, que detestou alguns personagens e que por vezes  amou algum. Que leitor nunca fez nada disso? Isso por si só é uma delícia. Mas, é apenas um dos ingredientes deste texto.

O fato é que o autor – hoje professor, escritor e crítico literário – não teve medo de se desnudar para contar sua relação com uma mulher morta a quase 200 anos. Deresiewicz retrata com crueza seus defeitos, suas deficiências e, narra como aprendeu com a ajuda de Austen a se tornar uma pessoa melhor. Em cada capítulo, em que o autor trata de um livro de Jane Austen e das lições que foi capaz de aprender com a obra, Deresiewicz mistura suas leituras, sua impressões sobre a vida, sobre o livro em questão e partes de sua vida -  tornando o texto irresistível. Nem sempre, eu como leitora, concordei com as impressões que Deresiewicz teve de suas leituras de Jane Austen, e o que isso tem demais? Nada, afinal a experiência da leitura é isto mesmo: um texto do qual fazemos múltiplas e diferentes leituras - conforme quem lê ou a época da vida em que lemos ou relemos um livro... ler permite múltiplas interpretações, de diferentes pontos de vista. Eu gostei tanto, que fui marcando várias passagens e vejam só como ficou meu exemplar:

Há muitas coisas interessantes nesta obra. O preconceito literário é um deles. O autor assume, logo na primeira página, o quanto considerava ridículo os romances de mulherzinhas: “O que poderia ser mais chato, eu me perguntava, do que um monte e romances longos, pesados, escritos por mulheres, em linguagem rebuscada, sobre trivialidades?” Conclusões a que ele chega sem ao menos ter lido sequer uma obra destas. Depois de lê-las – a força – ele começa a perceber outras coisas e a perceber a si mesmo. Uma das coisas que gostei também, são das passagens em que o autor se refere ao seu mestre – seu professor e orientador que ‘não ensinava sobre romances, mas era ensinado por eles’. 

São tantas coisas interessantes neste livro que só mesmo lendo para poder captar – RECOMENDO!  #ficaadica

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