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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Resenha: Sob um céu para iguais - Glênio Dalcin


Glênio Dalcin conta no livro Sob um céu para iguais histórias de futebol; mas não se engane quem não curte muito este esporte pensando que Dalcin fala somente sobre táticas e jogadas, ele fala sobre as pessoas: as que deram certo e as que tentaram neste mundo, mas aborda também a questão da 'fábrica de pequenos craques'.

A história do livro gira em torno do projeto do visionário Haylton que quer unir futebol, educação e qualidade de vida. Está estranhando o visionário ai né? Mas é isso mesmo, no país do futebol qual é a escolaridade dos nossos jogadores? Baixa. E tem uma citíca sutil ai... afinal, no 'mercado' da bola rola muita grana...

É uma história interessante; a impressão que eu tenho é que Dalcin deve ter imaginado, para esses garotos que tão pequenos vão jogar nos times de futebol e que são separados da família abandonando a escola a fim de um dia vir a se tornar um jogador de futebol de sucesso, um mundo de oportunidades onde essas crianças pudessem ter tudo o que os times de futebol profissionais lhe privariam de ter.
Haylton é um empresário de muito sucesso, apaixonado por futebol que reúne a sua volta pessoas que entendem de futebol e de música e que tem um excelente caráter, pois estes vão 'formar' as crianças e monta uma escola para garotos com talento com a bola de maneira a possibilitar que esses possam jogar, treinar,  ficar junto a sua família e estudar, garantindo emprego, moradia e escola para essas crianças e suas famílias.
Sob um céu para iguais mescla a história destes meninos e das pessoas envolvidas no projeto - livro bacana em um país em que praticamente todo menino quer ser um jogador de futebol - e outras coisas, como família e estudo - acabam ficando relegadas a segundo plano. Gostei do livro por que é um pouco - não é bastante, utópico: histórias de boas pessoas que sonham e fazem um mundo melhor para todos.
Título: Sob um céu para iguais. 
Autor: Glênio Dalcin
Editora: Soler Editora
Edição: 2005. 
Páginas: 231p. 
ISBN 85-98183-24-5

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Os livros e eu...

Algumas pessoas ficam intrigadas sobre o 'fato' de que eu costumo ler sempre mais do que um livro ao mesmo tempo - na verdade a resposta não é simples, envolve as coisas que eu gosto e que não gosto.

Adoro ler e se pudesse (entenda-se aqui ter mais tempo, pois livros, quem gosta de ler sempre arruma um jeito de conseguir: seja emprestado de amigos, colegas, bibliotecas ou comprado) leria mais: quase que o tempo todo.


É difícil explicar o que o processo de leitura faz comigo: a história entra pelos meus olhos, o cérebro registro e imagina e daí o coração é dominado pelas emoções (indignação, tristeza, amor, felicidade, humor, irritação - depende do teor da história). Funciona como uma espécie de terapia (não é a toa que a biblioterapia tem sido tão difundida e utilizada pelo mundo afora e que se diz que quem lê viaja).


Em função de adorar livros (suas capas, histórias, cheiro e textura) e 'viajar' enquanto leio tenho sempre um livro dentro da bolsa (nestes casos costumo escolher livros menores ou edições de bolso e que contenham capítulos menores, pois o livro de bolsa normalmente vai ser lido enquanto estou no ônibus ou espero algo ou alguém).


Na cabeceira da cama sempre tenho um livro - quase sempre são dois! - mas por quê? Para variar... Parece estranho, mas é para variar sim; como tenho o hábito de ler pelo menos um capítulo antes de dormir (salvo raras excessões: quando estou com enxaqueca ou alguma dificuldade de concentração - entenda-se um problema beeeem grande e/ou dolorido), e como na vida não podemos controlar tudo, não existem aqueles dias em que coisas e pessoas estranhas nos acontecem? - existem sim! na minha vida existem, inclusive aqueles dias que estamos um pouco 'deprê' e algumas vezes tudo o que você não quer antes de dormir e saber de historias que te lembrem certos episódios ou o dia de M. que você teve, e é por isso que costumo ter histórias diferentes a mão.


Agora mesmo estou lendo quatro - até o fim da semana eram três ( O Senhor dos Anéis, livro 1; As Lições de Godofredo; e Sob um céu para iguais), mas daí a Cris, minha amiga, me emprestou Ensaio sobre a cegueira - que eu estava/estou louca para ler, e eu não resisti: tive que começar a leitura antes de terminar algum dos já iniciados; fazer o quê né?! - bibliomaníaco é dose!


É óbvio que existem excessões ao meu 'hábito' de ler vários livros alternadamente; algumas vezes começo a ler um livro novo, que contém ingredientes altamente viciantes, e só consigo soltá-lo quando ler a última frase, a última linha, enxergar o ponto final definitivo; nestes casos minha 'salada literária' fica de lado até que eu consiga absorver todo o conteúdo do livro.

Muito mais raros são os casos de abandono, mas acontecem... Já abandonei alguns que depois tornei a ler e outros... bem não deu né?! Fazer o quê? Caprichos de um leitor...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A vida de J.R.R. Tolkien

John Ronald Reuel Tolkien nasceu em Bloemfontein, África do Sul, no dia 3 de janeiro de 1892. Seu pai, Arthur Reuel Tolkien, era empregado de um banco inglês instalado na África, e sua mãe, Mabel Suffield Tolkien, era dona de casa. A família provavelmente viveria muitos anos no continente africano, se Arthur não tivesse falecido em 1896. Mabel decidiu, então, retornar à Inglaterra com o jovem Ronald (como era chamado) e o irmão mais novo deste, Hilary.

Ronald passou quase toda a sua infância dividido entre as regiões rurais das Midlands Ocidentais e a cidade industrial de Birmingham, onde freqüentou a King's Edward School. A proximidade dessa região com o País de Gales ajudou a desenvolver, muito precocemente, a paixão de Tolkien por línguas: nos vagões de trem carregados de carvão, o garoto via palavras em galês como "Nantyglo" e "Senghenydd", que o fascinavam e inspirariam a criação das línguas élficas. Em 1900, Mabel Tolkien decidiu converter-se ao catolicismo juntamente com seus filhos. John Ronald permaneceria profundamente católico até o fim da vida.

Embora modesta, a vida levada por Mabel e seus filhos era relativamente tranqüila. A situação mudou em 1904, quando Mabel faleceu. A partir de então, a educação e bem-estar de Tolkien e seus irmãos passaram a ser responsabilidade do Padre Francis Morgan, amigo de Mabel. John Ronald passou a morar na hospedaria de uma certa senhora Faulkner, onde conheceu a jovem Edith Bratt, então com 19 anos (Tolkien tinha 16). Os dois se apaixonaram, mas o Padre Morgan, ao descobrir o namoro, proibiu que eles se vissem até que Tolkien completasse 21 anos. Obedecendo a seu tutor, mas sem esquecer Edith, Tolkien ingressou na Universidade de Oxford em 1911, mostrando-se um aluno brilhante no estudo das línguas germânicas, do inglês antigo, do galês e do finlandês. Esta última língua, uma das paixões de Tolkien, também seria uma das bases primordiais para as língua élficas.

Casamento, guerra, academia

Finalmente, por volta de 1914, o relacionamento de John Ronald e Edith pôde seguir seu curso. Ela se converteu ao catolicismo, enquanto Tolkien concluiu o curso de Língua e Literatura Inglesa em 1915. Foi também durante essa época que o qenya (hoje chamado "quenya"), o mais importante dos idiomas ficcionais criados por Tolkien, começou a tomar forma. Entretanto, a Primeira Guerra Mundial já estava varrendo a Inglaterra, e o jovem John Ronald não escapou da maré negra. Convocado para servir como segundo-tenente nos Fuzileiros de Lancashire, Tolkien casou-se com Edith em 22 de março de 1916 e, logo depois, embarcou para a França.

Tolkien participou da terrível ofensiva de Somme, na Bélgica, e após quatro meses no front contraiu a chamada "febre das trincheiras", uma infecção semelhante ao tifo que grassava devido às péssimas condições de higiene no exército. Mandado de volta à Inglaterra, Tolkien começou a rascunhar, enquanto se recuperava, as primeiras versões de sua mitologia, com as primeiras histórias de elfos, anões e homens, e os relatos originais da queda de Gondolin e de Nargothrond. Em 1917, nasceu o primeiro filho de Edith e Ronald, John Francis Reuel. Além dele, o casal também teria Michael, Christopher, e uma menina, Priscilla.

Depois do fim da guerra, a carreira acadêmica de Tolkien decolou: ele foi escolhido Leitor (Professor Associado) de Língua Inglesa na Universidade de Leeds em 1920 e, em 1925, passou a ocupar o posto de professor de Anglo-saxão em Oxford. Como professor, Tolkien se dedicou principalmente ao estudo da literatura em inglês antigo e médio (seus estudos do poema anglo-saxão "Beowulf" estão entre os mais imporantes do gênero) e também às aulas na graduação.

A Terra-média irrompe

Era costume de Tolkien contar histórias, criadas por ele próprio, para seus filhos. Certo dia, quando corrigia provas da faculdade, ele se deparou com uma folha em branco e, movido por um impulso inexplicável, escreveu nela: "Numa toca no chão vivia um hobbit". Tolkien decidiu então "descobrir" o que era o tal hobbit, e a partir disso criou mais uma história para seus filhos, com as aventuras do hobbit Bilbo. A história, datilografada, chegou às mãos de Stanley Unwin, da editora George Allen and Unwin, que pediu a seu filho de 10 anos, Rayner, para resenhá-la. O garoto adorou o livro, e Stanley Unwin decidiu publicá-lo em 1937 com o título "O Hobbit". O sucesso foi tamanho que o editor pediu a Tolkien uma continuação das aventuras de Bilbo.

Tolkien decidiu escrever a continuação, mas a história, atraída irresistivelmente na direção das velhas lendas élficas, demorou mais de 16 anos para ser escrita e se tornou um épico de mais de mil páginas. A essa altura, Rayner já havia crescido e passado a ocupar o cargo de seu pai na editora. Decidido a arriscar, Rayner publicou "O Senhor dos Anéis" em três volumes, lançados de 1954 a 1955. O sucesso, estrondoso, surpreendeu a todos, inclusive a Tolkien. Uma edição pirata do livro, lançada nos Estados Unidos em 1965, ampliou ainda mais tal êxito, já que os adeptos da contracultura e do movimento hippie se identificaram profundamente com a narrativa.

Beren e Lúthien

Surgira como que um culto em torno da figura e dos escritos de Tolkien. Se de um lado o autor se sentia lisonjeado, o homem Tolkien não estava tão contente: pessoas de todos os cantos do mundo se achavam no direito de ligar para a sua casa ou simplesmente bisbilhotá-lo do outro lado da rua. Assim, depois de se aposentar e com os filhos há muito crescidos, ele decidiu se mudar para o pacato balneário de Bournemouth em 1969, em companhia de Edith. Em 22 de novembro de 1971 ela faleceu, e Tolkien voltou para Oxford. Ele próprio morreria em 2 de setembro de 1973. Os dois estão enterrados juntos no cemitério de Wolvercote, em Oxford. Na lápide, num eco da mais bela história de amor de sua mitologia, pode-se ler:

Edith Mary Tolkien, Lúthien, 1889-1971
John Ronald Reuel Tolkien, Beren, 1892-1973

Este texto foi escrito por Fabio Bettega e publicado em 24 de dezembro de 2007 aqui.