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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Resenha: A Mulher do Mágico - James M. Cain

Ontem à noite terminei a leitura de A Mulher do Mágico, livro de James M. Cain (comprei na Feira do Livro de Florianópolis em dezembro/2009 por 5 níqueis O-O). 

Achei a capa do livro bárbara: em preto, com uma imagem antiga de um mágico fazendo uma mulher 'levitar' - Tudo bem que não se julga um livro pela capa, mas que se compra pela capa, ah isso sim! Hãham!

O prefácio foi escrito pelo critico literário Sérgio Augusto de Andrade. Veja o que ele diz sobre A Mulher do Mágico:

"A Mulher do Mágico é uma prova eloqüente e tardia das preferências de James M. Cain como romancista que, nesta obra, retorna a seu tema clássico: dois amantes que planejam assassinar um marido. Cain devia se sentir em águas seguras, tratando mais uma vez de assuntos como o amor, o sexo, a cobiça, o crime e a infidelidade.
Como todos seus heróis, Clay Lockwood tem absoluta consciência, desde o início do romance, de que está perdido e sua perdição é o que melhor poderia lhe ocorrer. Para James Cain, toda catástrofe é uma dádiva e toda catástrofe é a mesma. Qualquer leitor mais sensível, afinal, estaria igualmente inclinado a alimentar por Sally Alexis os mesmos sentimentos de Lockwood. É impossível resistir ao formato de seu umbigo, à sua surpreendente afeição por Steinways e Château Margaux e, até, a imaginar como seria o perfume, parecido com o de uma cascavel, que seu corpo exala sempre que recebe uma descarga de adrenalina. Sally Alexis, a garçonete de Maryland casada com um mágico que cheira como uma cascavel e adora Chopin, é uma das criações mais adoráveis de James Cain. Conforme o romance avança, a analogia com a cascavel ganha justificativas cada vez mais convincentes. Com A Mulher do Mágico, fica fácil perceber porquê a literatura policial pôde constituir uma técnica, um hobby, uma moral e uma escola. Fica fácil, também, recuperar a arqueologia recente de nossa fascinação pelo sexo e pela violência. Seu romance prova que, como se fosse o mais íntimo ou o mais atual de nossos contemporâneos, Cain nunca soube decidir qual espetáculo era mais deslumbrante, se o do crime ou o da carne. Na dúvida, combinou ambos. A Mulher do Mágico expõe em detalhes toda a magia dessa combinação.”
Isso me faz pensar nas pessoas que fazem algo muito errado mesmo sabendo que estava errado, ou ainda aquelas que em algum momento agem de modo diferente do que normalmente se esperaria delas.

Como uma pessoa é ‘levada’ por outra a fazer aquilo que não quer?
O tempo todo Clay Lockwood sabia que ia acabar mal, mas se deixa levar: é no mínimo estranho não? È bem, foi o que achei.

Eis a síntese da história:
Sally tem um caso com Clay, garantindo que não tem mais nada com o marido, mas que não pode deixá-lo para garantir a herança de seu filho. Grace, mãe de Sally, tem esperança que Clay faça sua filha desistir da idéia de receber a herança de Alexis. Quando Clay consegue convencer Sally a deixar Alexis e viver com ele, o pai de Alexis providencialmente morre. A morte do Sr El faz de Alexis um homem muito, muito rico, o que muda tudo para Sally.
Depois de convencido pela amante (e de forjarem o álibi perfeito para ambos), Clay provoca um acidente para matar Alexis, o marido de Sally. Clay apenas não contava que Buster, assistente e amante do mágico fosse estar no carro com ele.
Buster, porém sobrevive ao acidente e acusa Sally de ter matado o marido para ficar com os milhões recebidos de herança pela morte do sogro. Um detalhe durante a cilada, faz Clay acreditar que foi visto por Buster – e a culpa não apenas pelo que fez, mas por Buster estar no carro, fazem Clay perceber que não pode mais ficar com Sally .
A vingativa Sally, forja provas contra Buster, e esta não só é acusada como vai a julgamento.
Clay se envolve então com Grace, e a culpa de ambos por saberem desde o início o que Sally pretendia e por verem um inocente ser acusado pelo crime que Clay cometeu, faz com que ambos financiem a defesa de Buster.
Quando Clay se depara com a possibilidade de Buster ser condenada, não suporta a culpa e a verdade vem à tona – de um jeito bastante inesperado.

O mais interessante de tudo - no meu ponto de vista - é que Clay sabia o tempo todo que era errado, que ia fazer uma besteira e que ia acabar em m***a. E vai dizer que você não conhece ninguém assim? Finjo que acredito para quem diz que não, mas todo mundo já presenciou este tipo de comportamento, e isso é que é o mais curioso desta obra. Vale a leitura!
Título: A Mulher do Mágico
Autor: James M. Cain
Editora: Globo
Edição: 2001
Páginas: 292p. 
ISBN: 85-250-3420-7
Investimento: R$ 5,00 

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