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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Resenha: A Marca do Assassino - Daniel Silva

Como eu já disse antes adoro feira do livro - sempre faço ótimas aquisições.

Aqui em Floripa, além de boas livrarias, temos pelo menos duas feiras do livro: uma depois do verão (em março, abril) e outra em dezembro, isso sem contar outras feiras em praças e nas universidades e claro os sebos. Não são feiras grandes e nem com muita variedade, mas dá para se divertir um pouco ; )

Como os preços são bons, sempre compro muitos livros (gastando poucos níqueis $$) e vou lendo ao longo do ano (ou até a próxima feira!). Porém alguns livros 'devoro' em pouco tempo. Foi o caso dos livros do Daniel Silva. Em 2009 haviam três obras dele em grande quantidade e com preço bom. Comprei um para ver qual que era, se ia gostar do autor, do estilo, da história. Era A Marca do Assassino (paguei R$ 5,00 - baratinho: ADORO!), sai da feira e fui para o trabalho lendo, li no ônibus e não desgrudei do livro antes de terminar. No dia seguinte voltei a feira e comprei  os outros títulos do mesmo autor que estavam em promoção por lá. Li e gostei. 

Em A marca do assassino Daniel Silva apresenta Michel Osbourne, agente de contra-espionagem da CIA especialista em conflitos no Oriente Médio, e o assassino sem nome e sem rosto, conhecido apenas pelo codinome de Outubro, cuja marca é matar suas vítimas com três tiros no rosto.
Osbourne fica encarregado de investigar o atentado ao jato da Transatlantic Airlines e descobre um corpo próximo ao local da queda do avião com três tiros no rosto, a marca 'registrada' do assassino profissional Outubro. A descoberta do envolvimento de Outubro no atentado, fazem com que Osbourne desenvolva uma certa obsessão não apenas em descobrir o mistério que envolve a queda do avião, mas a captura de Outubro. Conforme Ousbourne segue o rastro dos crimes de Outubro e chega mais próximo da verdade, sua vida e de sua família são postas em risco. 
A Sociedade, responsável pelo atentado,  é formada por um grupo de homens com muito poder e influencia, capazes de qualquer ato para manipular os acontecimentos a favor de seus interesses.
Com um misto de ações terrorristas, crimes aparentemente isolados e jogo de interesses políticos e comerciais, Daniel Silva 'tece' uma história de ficção onde destacam-se as ações de manipulação de acontecimentos e de informações para conduzir os fatos e desviar a atenção de outros acontecimentos.
 
Título: A Marca do Assassino. 
Autor: Daniel Silva
Editora: Rocco
Edição: 1999
Páginas: 313p. 
ISBN 85-325-1072-8.

Sinopse:
Quando o vôo 002 da Transatlantic Airlines, pouco depois de decolar do aeroporto JFK, em Nova York , é atingido por um míssil e cai no mar, as suspeitas que recaem sobre o grupo palestino A espada de Gaza logo se mostrarão infundadas.
No rastro de um segredo que irá incomodá-lo e fazê-lo abrir mão do trabalho meramente burocrático, Michael Osbourne, agente da CIA nomeado para conduzir as investigações, se depara com um grupo clandestino denominado A Sociedade e com um impiedoso matador profissional cuja missão era silenciar todos que, por algum motivo, pudessem saber da verdade sobre a queda do jato americano.
Em cada corpo, três tiros no rosto; a marca característica do assassino, que podia ser reconhecida ao longo dos anos e países. Ao longo de uma trama habilmente elaborada Daniel Silva apresenta ao leitor uma rede de intriga, poder e política repleta de suspense e desfechos nem sempre previsíveis.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Resenha: Sob um céu para iguais - Glênio Dalcin


Glênio Dalcin conta no livro Sob um céu para iguais histórias de futebol; mas não se engane quem não curte muito este esporte pensando que Dalcin fala somente sobre táticas e jogadas, ele fala sobre as pessoas: as que deram certo e as que tentaram neste mundo, mas aborda também a questão da 'fábrica de pequenos craques'.

A história do livro gira em torno do projeto do visionário Haylton que quer unir futebol, educação e qualidade de vida. Está estranhando o visionário ai né? Mas é isso mesmo, no país do futebol qual é a escolaridade dos nossos jogadores? Baixa. E tem uma citíca sutil ai... afinal, no 'mercado' da bola rola muita grana...

É uma história interessante; a impressão que eu tenho é que Dalcin deve ter imaginado, para esses garotos que tão pequenos vão jogar nos times de futebol e que são separados da família abandonando a escola a fim de um dia vir a se tornar um jogador de futebol de sucesso, um mundo de oportunidades onde essas crianças pudessem ter tudo o que os times de futebol profissionais lhe privariam de ter.
Haylton é um empresário de muito sucesso, apaixonado por futebol que reúne a sua volta pessoas que entendem de futebol e de música e que tem um excelente caráter, pois estes vão 'formar' as crianças e monta uma escola para garotos com talento com a bola de maneira a possibilitar que esses possam jogar, treinar,  ficar junto a sua família e estudar, garantindo emprego, moradia e escola para essas crianças e suas famílias.
Sob um céu para iguais mescla a história destes meninos e das pessoas envolvidas no projeto - livro bacana em um país em que praticamente todo menino quer ser um jogador de futebol - e outras coisas, como família e estudo - acabam ficando relegadas a segundo plano. Gostei do livro por que é um pouco - não é bastante, utópico: histórias de boas pessoas que sonham e fazem um mundo melhor para todos.
Título: Sob um céu para iguais. 
Autor: Glênio Dalcin
Editora: Soler Editora
Edição: 2005. 
Páginas: 231p. 
ISBN 85-98183-24-5

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Os livros e eu...

Algumas pessoas ficam intrigadas sobre o 'fato' de que eu costumo ler sempre mais do que um livro ao mesmo tempo - na verdade a resposta não é simples, envolve as coisas que eu gosto e que não gosto.

Adoro ler e se pudesse (entenda-se aqui ter mais tempo, pois livros, quem gosta de ler sempre arruma um jeito de conseguir: seja emprestado de amigos, colegas, bibliotecas ou comprado) leria mais: quase que o tempo todo.


É difícil explicar o que o processo de leitura faz comigo: a história entra pelos meus olhos, o cérebro registro e imagina e daí o coração é dominado pelas emoções (indignação, tristeza, amor, felicidade, humor, irritação - depende do teor da história). Funciona como uma espécie de terapia (não é a toa que a biblioterapia tem sido tão difundida e utilizada pelo mundo afora e que se diz que quem lê viaja).


Em função de adorar livros (suas capas, histórias, cheiro e textura) e 'viajar' enquanto leio tenho sempre um livro dentro da bolsa (nestes casos costumo escolher livros menores ou edições de bolso e que contenham capítulos menores, pois o livro de bolsa normalmente vai ser lido enquanto estou no ônibus ou espero algo ou alguém).


Na cabeceira da cama sempre tenho um livro - quase sempre são dois! - mas por quê? Para variar... Parece estranho, mas é para variar sim; como tenho o hábito de ler pelo menos um capítulo antes de dormir (salvo raras excessões: quando estou com enxaqueca ou alguma dificuldade de concentração - entenda-se um problema beeeem grande e/ou dolorido), e como na vida não podemos controlar tudo, não existem aqueles dias em que coisas e pessoas estranhas nos acontecem? - existem sim! na minha vida existem, inclusive aqueles dias que estamos um pouco 'deprê' e algumas vezes tudo o que você não quer antes de dormir e saber de historias que te lembrem certos episódios ou o dia de M. que você teve, e é por isso que costumo ter histórias diferentes a mão.


Agora mesmo estou lendo quatro - até o fim da semana eram três ( O Senhor dos Anéis, livro 1; As Lições de Godofredo; e Sob um céu para iguais), mas daí a Cris, minha amiga, me emprestou Ensaio sobre a cegueira - que eu estava/estou louca para ler, e eu não resisti: tive que começar a leitura antes de terminar algum dos já iniciados; fazer o quê né?! - bibliomaníaco é dose!


É óbvio que existem excessões ao meu 'hábito' de ler vários livros alternadamente; algumas vezes começo a ler um livro novo, que contém ingredientes altamente viciantes, e só consigo soltá-lo quando ler a última frase, a última linha, enxergar o ponto final definitivo; nestes casos minha 'salada literária' fica de lado até que eu consiga absorver todo o conteúdo do livro.

Muito mais raros são os casos de abandono, mas acontecem... Já abandonei alguns que depois tornei a ler e outros... bem não deu né?! Fazer o quê? Caprichos de um leitor...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A vida de J.R.R. Tolkien

John Ronald Reuel Tolkien nasceu em Bloemfontein, África do Sul, no dia 3 de janeiro de 1892. Seu pai, Arthur Reuel Tolkien, era empregado de um banco inglês instalado na África, e sua mãe, Mabel Suffield Tolkien, era dona de casa. A família provavelmente viveria muitos anos no continente africano, se Arthur não tivesse falecido em 1896. Mabel decidiu, então, retornar à Inglaterra com o jovem Ronald (como era chamado) e o irmão mais novo deste, Hilary.

Ronald passou quase toda a sua infância dividido entre as regiões rurais das Midlands Ocidentais e a cidade industrial de Birmingham, onde freqüentou a King's Edward School. A proximidade dessa região com o País de Gales ajudou a desenvolver, muito precocemente, a paixão de Tolkien por línguas: nos vagões de trem carregados de carvão, o garoto via palavras em galês como "Nantyglo" e "Senghenydd", que o fascinavam e inspirariam a criação das línguas élficas. Em 1900, Mabel Tolkien decidiu converter-se ao catolicismo juntamente com seus filhos. John Ronald permaneceria profundamente católico até o fim da vida.

Embora modesta, a vida levada por Mabel e seus filhos era relativamente tranqüila. A situação mudou em 1904, quando Mabel faleceu. A partir de então, a educação e bem-estar de Tolkien e seus irmãos passaram a ser responsabilidade do Padre Francis Morgan, amigo de Mabel. John Ronald passou a morar na hospedaria de uma certa senhora Faulkner, onde conheceu a jovem Edith Bratt, então com 19 anos (Tolkien tinha 16). Os dois se apaixonaram, mas o Padre Morgan, ao descobrir o namoro, proibiu que eles se vissem até que Tolkien completasse 21 anos. Obedecendo a seu tutor, mas sem esquecer Edith, Tolkien ingressou na Universidade de Oxford em 1911, mostrando-se um aluno brilhante no estudo das línguas germânicas, do inglês antigo, do galês e do finlandês. Esta última língua, uma das paixões de Tolkien, também seria uma das bases primordiais para as língua élficas.

Casamento, guerra, academia

Finalmente, por volta de 1914, o relacionamento de John Ronald e Edith pôde seguir seu curso. Ela se converteu ao catolicismo, enquanto Tolkien concluiu o curso de Língua e Literatura Inglesa em 1915. Foi também durante essa época que o qenya (hoje chamado "quenya"), o mais importante dos idiomas ficcionais criados por Tolkien, começou a tomar forma. Entretanto, a Primeira Guerra Mundial já estava varrendo a Inglaterra, e o jovem John Ronald não escapou da maré negra. Convocado para servir como segundo-tenente nos Fuzileiros de Lancashire, Tolkien casou-se com Edith em 22 de março de 1916 e, logo depois, embarcou para a França.

Tolkien participou da terrível ofensiva de Somme, na Bélgica, e após quatro meses no front contraiu a chamada "febre das trincheiras", uma infecção semelhante ao tifo que grassava devido às péssimas condições de higiene no exército. Mandado de volta à Inglaterra, Tolkien começou a rascunhar, enquanto se recuperava, as primeiras versões de sua mitologia, com as primeiras histórias de elfos, anões e homens, e os relatos originais da queda de Gondolin e de Nargothrond. Em 1917, nasceu o primeiro filho de Edith e Ronald, John Francis Reuel. Além dele, o casal também teria Michael, Christopher, e uma menina, Priscilla.

Depois do fim da guerra, a carreira acadêmica de Tolkien decolou: ele foi escolhido Leitor (Professor Associado) de Língua Inglesa na Universidade de Leeds em 1920 e, em 1925, passou a ocupar o posto de professor de Anglo-saxão em Oxford. Como professor, Tolkien se dedicou principalmente ao estudo da literatura em inglês antigo e médio (seus estudos do poema anglo-saxão "Beowulf" estão entre os mais imporantes do gênero) e também às aulas na graduação.

A Terra-média irrompe

Era costume de Tolkien contar histórias, criadas por ele próprio, para seus filhos. Certo dia, quando corrigia provas da faculdade, ele se deparou com uma folha em branco e, movido por um impulso inexplicável, escreveu nela: "Numa toca no chão vivia um hobbit". Tolkien decidiu então "descobrir" o que era o tal hobbit, e a partir disso criou mais uma história para seus filhos, com as aventuras do hobbit Bilbo. A história, datilografada, chegou às mãos de Stanley Unwin, da editora George Allen and Unwin, que pediu a seu filho de 10 anos, Rayner, para resenhá-la. O garoto adorou o livro, e Stanley Unwin decidiu publicá-lo em 1937 com o título "O Hobbit". O sucesso foi tamanho que o editor pediu a Tolkien uma continuação das aventuras de Bilbo.

Tolkien decidiu escrever a continuação, mas a história, atraída irresistivelmente na direção das velhas lendas élficas, demorou mais de 16 anos para ser escrita e se tornou um épico de mais de mil páginas. A essa altura, Rayner já havia crescido e passado a ocupar o cargo de seu pai na editora. Decidido a arriscar, Rayner publicou "O Senhor dos Anéis" em três volumes, lançados de 1954 a 1955. O sucesso, estrondoso, surpreendeu a todos, inclusive a Tolkien. Uma edição pirata do livro, lançada nos Estados Unidos em 1965, ampliou ainda mais tal êxito, já que os adeptos da contracultura e do movimento hippie se identificaram profundamente com a narrativa.

Beren e Lúthien

Surgira como que um culto em torno da figura e dos escritos de Tolkien. Se de um lado o autor se sentia lisonjeado, o homem Tolkien não estava tão contente: pessoas de todos os cantos do mundo se achavam no direito de ligar para a sua casa ou simplesmente bisbilhotá-lo do outro lado da rua. Assim, depois de se aposentar e com os filhos há muito crescidos, ele decidiu se mudar para o pacato balneário de Bournemouth em 1969, em companhia de Edith. Em 22 de novembro de 1971 ela faleceu, e Tolkien voltou para Oxford. Ele próprio morreria em 2 de setembro de 1973. Os dois estão enterrados juntos no cemitério de Wolvercote, em Oxford. Na lápide, num eco da mais bela história de amor de sua mitologia, pode-se ler:

Edith Mary Tolkien, Lúthien, 1889-1971
John Ronald Reuel Tolkien, Beren, 1892-1973

Este texto foi escrito por Fabio Bettega e publicado em 24 de dezembro de 2007 aqui.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Max Tivoli X Benjamin Button

Vi no Cine Demais um post sobre As confissões de Max Tivoli (já publiquei um post aqui sobre este livro), entitulado O curioso caso de Benj..., digo, Max Tivoli , que trata sobre as comparações, diferenças e semelhanças entre o romance de Andrew Sean Greer (As confissões de Max Tivoli) e o conto de F. Scott Fitzgerald (O curioso caso de Benjamin Button - que eu ainda não li). Abaixo, reproduzo um trecho do post:

Ao começar a leitura do romance de Greer, a comparação com o conto de F. Scott Fitzgerald se estabelece de imediato, por causa da existência de protagonistas - em ambas as histórias - que nascem velhos e vão remoçando à medida que os anos correm. Mas as semelhanças acabam aí. Qualquer outra comparação é injusta e acusar Greer de plágio é um grande equívoco. "As confissões..." é uma história de amor(es) muito envolvente e bem escrita. Impressiona a capacidade do autor de ir e voltar no tempo, antecipando acontecimentos, sem - no entanto - estragar as surpresas.
Na verdade, o filme de David Fincher, adaptado (?) por Eric Roth e estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchett, é uma outra coisa, uma outra história e, no meu entender, não tem nada a ver com o conto do Fitzgerald (por isso a interrogação entre parênteses). Tampouco tem a ver com o romance do Greer, ainda que guarde mais semelhanças com "As confissões de Max Tivoli". Por que digo isso?Vamos aos fatos:
1) Em Fitzgerald, Benjamin nasce como um adulto idoso, experiente e inteligente; em Greer, Max vem ao mundo como um bebê, imaturo como qualquer criança, com aparência de velho.
2) Em Fitzgerald, o velho Benjamin tem 50 anos (já rejuvenescera duas décadas, então) quando se apaixona por uma jovem de 20 anos, que corresponde ao seu amor, o que leva os dois a se casarem logo depois; em Greer, Max é um adolescente de 17 anos com aparência de um senhor de 53 quando conhece Alice, de catorze anos, por quem se apaixona, embora a menina o veja como um avô, nada de paixão.
3) Em Fitzgerald, Benjamin vai deixando de amar a esposa à medida que ele rejuvenesce e ela vai ficando mais madura; em Greer, Max ama Alice por toda a vida, ainda que as circunstâncias o afastem dela por duas vezes.
4) Em Fitzgerald, não há insinuação de pedofilia, uma vez que a amada de Benjamin já tem 20 anos quando ele a conhece; em Greer, o amor de um senhor por uma garota de 14 anos leva a mãe da menina a sumir no mapa, levando a filha para longe do "pervertido" Max.
5) Em Fitzgerald, a amada de Benjamin tem pouco destaque e é a mulher de um marido só; em Greer, ela é uma mulher inteligente, segura, independente e que se entrega ao amor de vários homens.

Coincidências ou não a parte, o que posso dizer é que o livro de Greer, não tem nada a ver com o filme (que segundo consta é baseado no livro, e conforme os argumentos acima também não tem proximidade - além do fato dos protagonistas nascerem idosos - com a história de Max Tivoli). Se alguém assistiu ao filme ou leu o conto de F. Scott Fitzgerald, não pode deixar de ler As Confissões de Max Tivoli - tudo de bom!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Resenha: O Hobbit - J.R.R. Tolkien


Mais uma história de Tolkien:

O Hobbit narra a história de Bilbo Bolseiro - um pequeno, acomodado e faminto hobbit que vivia tranquilamente em sua toca em Bolsão até ser abordado pelo mago Gandalf e 'carregado' para uma grande aventura. Quando um bando de anões começam a chegar a sua toca, causando muita bagunça e confusão, Bilbo não sabe o que está acontecendo - Gandalf havia dito aos anões que Bilbo era um ladrão e poderia ajudá-los em sua busca ao tesouro. Para surpresa do próprio Bilbo ele se ve aceitando fazer parte da expedição de Thorin e cia. O pequeno hobbit se mostra um companheiro valioso, salvando os anões de muitas enrascadas e vivendo muitas aventuras.

Logo no começo de sua jornada Bilbo e os anões deparam-se com Trolls, e só conseguem escapar com a ajuda do mago Gandalf.

Seguindo a trilha da montanha os anões são capturados pelos orcs, e dentro da montanha Bilbo encontra um anel mágico. Além dos orcs a montanha guarda outros perigos, como o terrível Gollum (criatura maléfica que vive nas montanhas comendo peixe cru e orcs - ou qualquer outra coisa viva que possa pôr as mãos), e Bilbo tem de vencer um jogo de adivinhas para escapar a criatura; Bilbo teve de escapar de Gollum e dos orcs com a ajuda do anel, para poder sair da montanha.

Escapando da montanha os anões, Bilbo e Gandalf se deparam com os Wargs selvagens (uma espécie de lobos malignos) na floresta e são salvos pelo Senhor das águias;

Para seguir em sua jornada, os aventureiros deveriam passar pela Floresta das Trevas, com ordem expressa de nunca sair da trilha, porém a floresta era tão terrível que tudo em que conseguiam pensar era no seu fim e quando avistaram uma luz no meio das árvores, os anões se desviaram da trilha e se perderam na floresta, sendo capturados e aprisionados nas teias de terríveis aranhas gigantes, não fosse por Bilbo e seu anel, os anões teriam sido devorados pelas aranhas.

Os elfos da floresta encontraram os anões e os aprisionaram, ficando livre apenas Bilbo que usava o anel e não podia ser visto. Os anões não quiseram revelar ao Senhor dos Elfos o objetivo de sua expedição e foram mantidos prisioneiros nos calabouços da grande caverna que servia de palácio ao Rei. Bilbo, estando invisível conseguiu bolar uma rota de fuga pelos anões, dentro de barris rio abaixo.

O rio leva os aventureiros até a Cidade do Lago próxima a montanha onde o Dragão Smaug guarda o tesouro dos anões, mas a aventura não acaba aqui, pois há que se dar um fim em Smaug para poder usufruir do tesouro -sem falar no fato que a história do lendário tesouro de Smaug havia se espalhado, despertando muita cobiça, entre homens, elfos e anões.

O livro é muito bom; e é a aventura de Bilbo Bolseiro a base para a saga O Senhor do Anéis - e é pelas mãos de Bilbo que o anel chega até Frodo (o protagonista da trilogia Senhor dos Anéis). Muito bom - e muito mais tranquilo em relação aos nomes do que o Silmarillion. 

Recomendo!

Vale a leitura!

Título: O Hobbit
Autor: J.R.R. Tolkien
Editora: Martins Fontes
Edição: 3.ed., 2009. 
Páginas: 297p. 
ISBN: 978-85-7827-112-1

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Resenha: O Silmarillion - J.R.R. Tolkien

O que dizer de Silmarillion?

Difícil, difícil explicar.

Tolkien começou a escrevê-lo em 1917 e jamais parou de aprimorá-lo (o autor faleceu em 1973). Aliás se você nunca leu nada de Tolkien, pelo menos já ouviu falar - ele é o criador do Senhor dos Anéis (que virou filme - premiadíssimo).
O Silmarillion relata as histórias antigas da Terra-média, o surgimento dos homens e dos elfos e os conflitos desta época. E veja bem, todo este 'universo' criado e imaginado por Tolkien. Nesta obra, Tolkien narra uma série de acontecimentos - a criação do mundo, a maldade, e os muitos conflitos - e tem muitos, muitos personagens – com nomes bastante diferentes (isso me fez voltar muitas vezes de uma história a outra para ‘relembrar’ quem fez o que mesmo!?).Eu tive muita dificuldade com os nomes. Os nomes 'elfícos' são bem estranhos e são tantos!!!

Porém isso de nada tira o mérito de Tolkien, muito pelo contrário.
Eu ainda não tinha lido nenhuma obra dele, e não pude deixar de me perguntar que criatura fantástica é essa que imagina histórias e mundos tão incríveis...
Imaginei Tolkien como um daqueles sonhadores, que passa a vida dividido entre o sonho e a realidade: criando! Uma criatura que faz de tudo para que seu universo particular seja transformado em realidade.
Muito mais me comoveu saber que ele escrevia para os filhos; criou um mundo fantástico para seus filhos ‘habitarem’ e dividiu conosco - sorte a nossa, né não?

Fantástico. Criativo. Tolkien é incrível! Ler suas obras (já estou supondo antes de ler as demais - adquiri O Silmarillion, O Hobbit e o Senhor das Anéis 1, 2 e 3) é mergulhar em um mundo a parte, adentrar em outro universo. O Silmarillion – ainda que com todas as dificuldades – foi a prova disso; E esse foi apenas o começo, não vejo a hora de chegar ao fim desta história.

Parto agora para Bilbo, O Hobbit. Aguardem!

Título: O Silmarillion
Autor: J.R.R. Tolkien
Editora: Martins Fontes
Edição: 4.ed., 2009

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Resenha: A Mulher do Mágico - James M. Cain

Ontem à noite terminei a leitura de A Mulher do Mágico, livro de James M. Cain (comprei na Feira do Livro de Florianópolis em dezembro/2009 por 5 níqueis O-O). 

Achei a capa do livro bárbara: em preto, com uma imagem antiga de um mágico fazendo uma mulher 'levitar' - Tudo bem que não se julga um livro pela capa, mas que se compra pela capa, ah isso sim! Hãham!

O prefácio foi escrito pelo critico literário Sérgio Augusto de Andrade. Veja o que ele diz sobre A Mulher do Mágico:

"A Mulher do Mágico é uma prova eloqüente e tardia das preferências de James M. Cain como romancista que, nesta obra, retorna a seu tema clássico: dois amantes que planejam assassinar um marido. Cain devia se sentir em águas seguras, tratando mais uma vez de assuntos como o amor, o sexo, a cobiça, o crime e a infidelidade.
Como todos seus heróis, Clay Lockwood tem absoluta consciência, desde o início do romance, de que está perdido e sua perdição é o que melhor poderia lhe ocorrer. Para James Cain, toda catástrofe é uma dádiva e toda catástrofe é a mesma. Qualquer leitor mais sensível, afinal, estaria igualmente inclinado a alimentar por Sally Alexis os mesmos sentimentos de Lockwood. É impossível resistir ao formato de seu umbigo, à sua surpreendente afeição por Steinways e Château Margaux e, até, a imaginar como seria o perfume, parecido com o de uma cascavel, que seu corpo exala sempre que recebe uma descarga de adrenalina. Sally Alexis, a garçonete de Maryland casada com um mágico que cheira como uma cascavel e adora Chopin, é uma das criações mais adoráveis de James Cain. Conforme o romance avança, a analogia com a cascavel ganha justificativas cada vez mais convincentes. Com A Mulher do Mágico, fica fácil perceber porquê a literatura policial pôde constituir uma técnica, um hobby, uma moral e uma escola. Fica fácil, também, recuperar a arqueologia recente de nossa fascinação pelo sexo e pela violência. Seu romance prova que, como se fosse o mais íntimo ou o mais atual de nossos contemporâneos, Cain nunca soube decidir qual espetáculo era mais deslumbrante, se o do crime ou o da carne. Na dúvida, combinou ambos. A Mulher do Mágico expõe em detalhes toda a magia dessa combinação.”
Isso me faz pensar nas pessoas que fazem algo muito errado mesmo sabendo que estava errado, ou ainda aquelas que em algum momento agem de modo diferente do que normalmente se esperaria delas.

Como uma pessoa é ‘levada’ por outra a fazer aquilo que não quer?
O tempo todo Clay Lockwood sabia que ia acabar mal, mas se deixa levar: é no mínimo estranho não? È bem, foi o que achei.

Eis a síntese da história:
Sally tem um caso com Clay, garantindo que não tem mais nada com o marido, mas que não pode deixá-lo para garantir a herança de seu filho. Grace, mãe de Sally, tem esperança que Clay faça sua filha desistir da idéia de receber a herança de Alexis. Quando Clay consegue convencer Sally a deixar Alexis e viver com ele, o pai de Alexis providencialmente morre. A morte do Sr El faz de Alexis um homem muito, muito rico, o que muda tudo para Sally.
Depois de convencido pela amante (e de forjarem o álibi perfeito para ambos), Clay provoca um acidente para matar Alexis, o marido de Sally. Clay apenas não contava que Buster, assistente e amante do mágico fosse estar no carro com ele.
Buster, porém sobrevive ao acidente e acusa Sally de ter matado o marido para ficar com os milhões recebidos de herança pela morte do sogro. Um detalhe durante a cilada, faz Clay acreditar que foi visto por Buster – e a culpa não apenas pelo que fez, mas por Buster estar no carro, fazem Clay perceber que não pode mais ficar com Sally .
A vingativa Sally, forja provas contra Buster, e esta não só é acusada como vai a julgamento.
Clay se envolve então com Grace, e a culpa de ambos por saberem desde o início o que Sally pretendia e por verem um inocente ser acusado pelo crime que Clay cometeu, faz com que ambos financiem a defesa de Buster.
Quando Clay se depara com a possibilidade de Buster ser condenada, não suporta a culpa e a verdade vem à tona – de um jeito bastante inesperado.

O mais interessante de tudo - no meu ponto de vista - é que Clay sabia o tempo todo que era errado, que ia fazer uma besteira e que ia acabar em m***a. E vai dizer que você não conhece ninguém assim? Finjo que acredito para quem diz que não, mas todo mundo já presenciou este tipo de comportamento, e isso é que é o mais curioso desta obra. Vale a leitura!
Título: A Mulher do Mágico
Autor: James M. Cain
Editora: Globo
Edição: 2001
Páginas: 292p. 
ISBN: 85-250-3420-7
Investimento: R$ 5,00 

domingo, 10 de janeiro de 2010

Resenha: As Confissões de Max Tivoli - Andrew Sean Greer

Passeando pela Feira do Livro de Florianópolis em dezembro de 2009 eis que me deparo com o Srº Max Tivoli.

Quem me conhece sabe que sou bibliomaníaca. O cheiro dos livros, as cores das capas, tudo me fascina! Ficar passeando entre estantes olhando as lombadas dos livros na eterna busca por aqueles que ganharão nosso coração e um espaço em nossa estante.

Feira do livro é uma oportunidade ótima para levar para casa muitos livros com pouca grana e foi assim que o livro de Andrew Sean Greer foi parar na minha estante.

Vários aspectos me chamaram a atenção no livro:
1º o título: As Confissões de Max Tivoli - tem um ar de mistério, afinal sugere o fim de um segredo;
2º o preço: R$ 7,00, baratinho, baratinho!
3º a capa: uma bola de beisebol em primeiro plano e ao fundo flores e um chapeú masculino – reforçando o ar de mistério e aguçando a minha curiosidade;
4º as criticas: “Andrew Sean Greer é um dos autores mais talentosos da atualidade, comovente e engraçado...”
“...uma verdadeira e original voz... uma história como nunca havíamos escutado antes. Andrew Sean Greer é um escritor devassador...” – precisa de mais?
5º a Sinopse:
“Quando Max nasceu, seu pai o declarou um Nisse, uma estranha figura da mitologia dinarmaquesa, pois tinha a aparência de um velho à beira da morte. Max evolui como uma criança qualquer, mas na aparência rejuvenesce – por fora um homem muito velho, por dentro uma criança amedrontada.
Mas, apesar desse problema, o verdadeiro dilema de Max é seu primeiro e único amor, Alice, por quem se apaixona ainda na adolescência.Com a fisionomia de um senhor de cerca de sessenta anos, a única coisa que consegue é tornar-se amante da mãe de Alice. Uma noite, Max resolve declarar seu amor a Alice e revela que é um garoto de dezessete anos. No dia seguinte, ela e sua mãe fogem, o que deixa Max arrasado. Mas o que ele não sabe é que uma manobra do destino o colocará novamente mais duas vezes cara a cara com a sua amada, que não o reconhecerá – então será dada a ele nova chance de amar, mesmo que para isso ele tenha de continuar escondendo sua verdadeira identidade.”
– A principio parece O Curioso Caso de Benjamin Button, de F. Scott Fitzgerald (não eu não li o livro, mas assisti o filme), quer dizer nasce velho, rejuvenesce, apaixona-se ainda jovem e tem um caso com a mãe da menina? Opa, ai já começa a mudar. Então ele se declara para Alice – um ‘senhor’ se declara para uma ‘garotinha’ e a família foge– opa, opa novamente: assédio, insinuação de pedofilia?! Anos depois eles se reencontram (ele mais jovem, ela mais velha) e Max não é reconhecido, será que vai viver contando mentiras? Como isso vai acontecer? Ok, fiquei curiosa, muito curiosa.

Mas o que me fez comprar o livro foi a primeira frase: “Somos, cada qual, o amor da vida de alguém.” Meu coração chegou a acelerar, quer dizer quem é que nunca amou? Quem é que não acha que já encontrou ou vai encontrar o amor da sua vida (por mais piegas que pareça)? Eu acho que é um dos melhores começos para um livro que eu já li na vida, não há questão, não há dúvida, só existe a certeza de que “Somos, cada qual, o amor da vida de alguém.”

Daí eu não resisti e li o parágrafo seguinte:

“Eu queria escrever isto aqui no caso de ser descoberto e não poder completar estas páginas, no caso de você ficar tão perturbado com os fatos de minha confissão que as jogasse no fogo antes de eu conseguir falar de grande amor e assassinato. Eu não o culparia. Há tantas coisas que ficam no caminho de quem ouve minha história. Há um corpo morto que pede explicação. Uma mulher que foi amada três vezes. Um amigo traído. E um garoto há muito procurado. Assim, vou começar pelo final e lhe dizer que somos, cada qual, o amor da vida de alguém.”

Pronto. Não haveria volta. Fechei o livro, me encaminhei ao caixa, paguei e levei-o para casa.

Reparem que trata-se de um diário, onde Max ‘confessa’ seus segredos a alguém. A narrativa mescla as histórias da vida de Max, do nascimento até o ‘quase fim’, com o período em que Max é uma criança com quase 70 anos e vive com Sammy, um garotinho com praticamente a mesma idade que Max aparenta ter e sua mãe Mrs. Ramsey. Max escreve o diário para contar sua vida, mas, sobretudo Max escreve para Sammy. Como Max Tivoli vai parar na casa de Mrs. Ramsey é um mistério que vai se revelando aos poucos.

Como viveu um homem que aparentava ser algo que estava longe de ser? Como as pessoas lidavam com isso? A verdade é que a vida de Max era conduzida pela regra de ouro: “seja aquilo que você aparenta ser: exatamente aquilo que pensam que você é”. Max, enquanto criança foi velho, enquanto velho foi criança, viveu uma vida de mentiras e enganos e só uma vez foi aquilo que aparentava ser: quando tinha 35 anos.

O livro é brilhante, impressionante. Max Tivoli não é nenhum herói, muito ao contrario o próprio se considera um monstro, mas a história é incrível, e vale – muito - a pena ler.

Eu super recomendo! : )

Título: As Confissões de Max Tivoli. 
Autor: Andrew Sean Greer
Editora: Arx
Edição: 2004
Páginas: 313p.
ISBN: 85-7581-144-4
Investimento: R$ 7,00

Um mundo de livros...

Já dizia Monteiro Lobato que "um país se faz com homens e livros". É impossível aprender a pensar com coerência, crescer, produzir e se desenvolver sem ler.

A leitura amplia não apenas nossos conhecimentos, mas nosso horizonte. Nos permite descobrir e viver muitos mundos, muitas vidas. Nos torna pessoas melhores, e cidadãos melhores.


Desde de quando me lembro, sou uma leitora voraz (enquanto o brasileiro lê em média 4,7 livros por ano, segundo a pesquisa Retratos da Leitura do Brasil, eu leio [pelo menos] um livro por semana, o que dá uma média de 4 a 5 livros por mês, mais ou menos uns 52 livros por ano, quase 10 vezes mais do que a média nacional). E claro, ai eu estou falando de literatura de lazer, não estou computando o que leio para trabalho, estudo e pesquisa. Por que eu leio? Por hábito? Não, leio porque gosto, leio por prazer; leio por que aprendo mais; leio por necessidade, por gosto, por lazer, por diversão.

É verdade que no Brasil os livros ainda são muito caros (e iso vem mudando!), mas existem bibliotecas públicas, escolares e universitárias com todo o tipo de acervo disponível (bem verdade que em número reduzido em cidades pequenas), mas ainda assim existem e-books e - o melhor de tudo - amigos.

Ter amigos leitores é ótimo, e não apenas pelos livros emprestados, mas pela troca de opiniões e pelas leituras sugeridas. Amigos que lêem muito toleram e entendem melhor nosso gosto por determinados livros esquisitos, pois eles também tem os seus; discutem conosco os livros que nos chocam e nos provocam raiva (tipo O Caçador de Pipas); recomendam livros maravilhosos (como Reparação); se emocionam com os livros belos que lhes recomendamos; se divertem junto conosco com os livros engraçados (Inconcebível de Ben Elton); nos ajudam a listar os defeitos das adaptações feitas para o cinema dos livros que amamos (O Menino do Pijama Listrado, por exemplo). Isso tudo pra não falar de pessoas que nos entendem, entendem como funciona a mente de um leitor - quase sempre compulsivo - que adora babar em frente as vitrines das lojas de livros, cheirar as páginas novinhas e passear entre as estantes roçando os dedos nas lombadas dos livros. Humm! Se identificou com este sintomas? Então seja bem vindo livrólatra!

A finalidade deste blog é ser um espaço de compartilhamento e também reunir 'coisas' sobre um mundo de livros...  lançamentos, resenhas e opiniões... seja bem vindo!